Ex-aliadas, ‘briga’ por direito de resposta entre Isa Marcondes e Mara Caseiro vai ao plenário do TRE-MS
Midia Max

A ‘briga digital’ travada pelas candidatas Mara Caseiro (PL) e Isa Marcondes (Republicanos) alcançou novo contorno em meio à disputa por vaga na Câmara dos Deputados. Ex-aliadas, as políticas agora trocam acusações nas redes sociais, e um direito de resposta solicitado pela deputada estadual contra a vereadora de Dourados será levado ao plenário do TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral).No ano passado, Mara e Isa caminharam juntas. Em mobilização da vereadora douradense por recursos ao Hospital da Vida de Dourados, Mara doou cadeiras de rodas e de banho para os pacientes da unidade. A entrega foi divulgada nas redes sociais e expunha a harmonia entre as duas.
Após arranjo que levou Isa a recuar da disputa por vaga na Alems (Assembleia Legislativa de MS) e mirar a Câmara dos Deputados, Mara — que também busca vaga em Brasília — e a ex-aliada passaram a travar troca de acusações nas redes sociais.
O centro do embate seria a suposta ação eleitoreira da deputada estadual, acusada por Isa de buscar votos do eleitor douradense sem, segundo ela, apresentar resultados para a cidade. Mara, por sua vez, criticou a candidata do Republicanos por criar ‘guerra entre mulheres’ na política.A vereadora ‘dobrou a aposta’ e, na semana passada, prometeu que Mara Caseiro passaria vergonha por expor Isa em vídeo, mostrando que, no ano passado, a vereadora teria recebido a deputada na cidade para comemorar a doação.“A senhora usou imagens da cadeira de rodas. A senhora sabe o quanto eu insisti e fui atrás para a senhora devolver nossos impostos para Dourados e o hospital. Se a senhora fosse anos de mandato tão boa, a senhora teria colocado aquela cadeira de rodas sem eu precisar ir atrás. Deputada, a senhora vai passar vergonha. Em nenhum momento eu falei da senhora, eu falei que gosto muito da senhora. Mas, já que a senhora fez o vídeo, a senhora aguente agora”, disse Isa, desafiando Mara para debate ‘cara a cara’.
No dia seguinte, a vereadora publicou vídeo mostrando a precariedade do Hospital da Vida e questionou Mara sobre a destinação de recursos da Alems para a reforma milionária do plenário da Casa de Leis e os gastos com o novo estacionamento.Deputada moveu ação contra Isa por direito de resposta
A disputa na Justiça Eleitoral teve início com uma ação de direito de resposta movida por Mara Caseiro contra Isa Marcondes, que teve decisão favorável publicada em 21 de setembro de 2026.No dia seguinte (22), ambas as partes recorreram de pontos ligados ao cumprimento dessa determinação.
De um lado, Isa apresentou recursos ao tribunal pedindo a suspensão imediata de trechos da decisão até o julgamento pelo Plenário. Na questão principal, ela solicita que o pedido de direito de resposta seja rejeitado ou, ao menos, parcialmente modificado.
De outro lado, Mara pediu a revisão de um despacho judicial, também publicado em 22 de setembro, que determinou a entrega de um novo arquivo de áudio e vídeo.A Justiça Eleitoral havia recusado as mídias enviadas anteriormente por conterem trechos não aprovados na decisão original. Mara Caseiro argumenta que o conteúdo acrescentado apenas introduz e contextualiza a resposta, sem mudar o sentido do texto autorizado, e pede que Isa seja intimada a divulgar o material já disponibilizado.
Relator mandou caso ao plenário do TRE
Ao analisar o pedido de Mara para liberar o vídeo já enviado, o relator explicou que, embora o pedido de reconsideração não seja formalmente um recurso previsto em lei, ele impacta diretamente o conteúdo e a forma de exercer o direito de resposta.
Para garantir a agilidade do processo eleitoral e evitar decisões contraditórias, o juiz aceitou o pedido como um recurso para que seja avaliado pelo Plenário junto da contestação de Isa Marcondes.Sobre o pedido de Isa para suspender imediatamente os efeitos da condenação, o magistrado destacou três motivos para deixar a definição para o julgamento do Plenário:
- Os prazos para processos de direito de resposta são curtos, o que garante que o julgamento pelo colegiado ocorrerá em breve;
- Os argumentos usados para pedir a suspensão imediata se misturam com a discussão principal do caso, e analisá-los de forma individual anteciparia uma decisão que cabe ao Plenário;
- Não há risco de publicação imediata do vídeo, pois o prazo de 48 horas para a divulgação só começa a contar depois que a mídia é aprovada, disponibilizada pela Secretaria Judiciária e comunicada oficialmente à parte contrária — etapas que ainda não ocorreram porque o arquivo segue sem aprovação.
O relator determinou que Mara e Isa sejam notificadas para, se desejarem, se manifestarem sobre o recurso uma da outra no prazo de um dia.
Encerrado esse prazo, com ou sem resposta das partes, o processo será encaminhado para parecer da Procuradoria Regional Eleitoral e, na sequência, seguirá para o julgamento conjunto pelo Plenário do TRE-MS, ocasião em que também serão verificadas as condições formais para aceitação de todos os recursos apresentados.
