Nomeado por Gerson Claro vira réu por ‘esquentar’ documentos no Detran-MS

Midia Max

Procurado pela Justiça há cerca de cinco anos, Gênis Garcia Barbosa se tornou réu em mais uma ação penal por fraude no Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul), juntamente com os servidores Bedson Rodrigues Machado e Abner Aguiar Fabre, além dos despachantes David Clocky Hoffaman Chita e Leandro César de Matos Sória.Nomeado por indicação política em abril de 2016 pelo então diretor-presidente do Detran-MS, Gerson Claro, Gênis foi ‘promovido’ e se tornou gerente de agência após trabalhar na campanha política de Claro em 2018.

O Ministério Público aponta que Gênis teria começado a praticar fraudes quando assumiu o posto gerencial da agência do Aero Rancho. Nesta denúncia, por exemplo, foram praticadas 36 fraudes pelo grupo, todas referentes ao aumento do quarto eixo em semirreboques de forma irregular.

Assim, na terça-feira (4), o juiz Roberto Ferreira Filho, da 1ª Vara Criminal de Campo Grande, aceitou a denúncia e deu prazo de 10 dias para os réus apresentarem a primeira defesa no processo.

Há um mês, Gênis se tornou réu em outro processo pelo mesmo tipo de fraude. O que muda entre um processo e outro são os denunciados. O ex-comissionado no Detran-MS responde a pelo menos 14 processos na Justiça.David Chita também responde como réu em vários processos por esquemas no Detran-MS. Em um deles, chegou a ser preso no fim do ano passado, mas conseguiu liberdade e está sendo monitorado por tornozeleira eletrônica.

O despachante tentou delatar, em 2024, os verdadeiros chefes da corrupção no órgão de trânsito, apontando haver um verdadeiro esquema de blindagem envolvendo políticos e autoridades.

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Despachante David Chita também é réu com Gênis. (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)

Promoção após encontro com Claro na Alems

Apontado pelo MP como peça-chave de esquema de fraudes no Detran-MS, Gênis é filiado ao PP de Sidrolândia e ganhou destaque no Detran-MS após trabalhar como ‘voluntário’ na campanha política de Gerson Claro, em 2018, quando o político se elegeu pela primeira vez a um cargo eletivo, como deputado estadual, também pelo PP.Então, 26 dias após a posse de Claro como deputado, no dia 27 de fevereiro de 2019, Gênis foi promovido a gerente da agência do Detran-MS no bairro Aero Rancho, em Campo Grande. Assim, o salário de Gênis teve aumento de quase 80%.

Logo após essa guinada na carreira pública dentro do Detran-MS, servidores denunciaram ao Jornal Midiamax, em março de 2019, que o órgão havia se transformado em ‘cabide de emprego’ para aliados eleitorais de Gerson Claro no Detran-MS.

Na época, Claro admitiu à reportagem que ainda exercia influência na definição de comissionados para cargos de chefia no Detran-MS, mesmo tendo deixado o comando do órgão em 2017, após ser preso, acusado de corrupção no contexto da Operação Antivírus.Ação penal contra Claro segue parada na Justiça, aguardando a realização de uma perícia.

Gerson Claro foi preso e solto no mesmo dia, em 29 de agosto de 2017, e pediu exoneração do Detran-MS dias depois. (Arquivo, Jornal Midiamax)

Todas as denúncias feitas pelo Ministério Público após investigações policiais acusam Gênis de se utilizar do cargo de gerente para cometer fraudes, como alterações indevidas em registros de veículos com restrições no sistema.

A reportagem procurou Gerson Claro para comentar a ligação com Gênis. Questionado sobre ter indicado o ex-servidor ao cargo, sobre a atuação dele na campanha eleitoral e sobre a promoção após a eleição do ex-diretor do Detran como deputado estadual, Claro limitou-se a dizer que não tem “nenhuma relação com ele” e “muito menos com as ações que eventualmente tenha feito. Saí do Detran em 2017. Fatos citados são após isso”.

Reportagem localizou e conversou com Gênis

Réu em mais de 11 ações por fraudes no Detran-MS, Gênis estava sendo procurado pela Justiça há pelo menos cinco anos. O ex-comissionado driblava oficiais de Justiça e se mudava constantemente de endereço de forma repentina, conforme relatou um dos promotores de Justiça que estão atrás de Gênis.

No entanto, o núcleo investigativo do Jornal Midiamax localizou Gênis fazendo fretes em uma picape em Sidrolândia, que também é base eleitoral de Claro. Aliás, por lá, ele mantém vida social ativa e até divulga eventos comunitários.

Inicialmente, a reportagem simulou fazer frete e Gênis confirmou que realizava o serviço na região de Sidrolândia. No entanto, quando o repórter se identificou, o ex-apadrinhado de Gerson Claro disse que morava em outro estado e que não fala mais com pessoas ligadas ao Detran-MS. “Não tenho mais contato com ninguém, não, até porque estou morando em outro estado, comecei tudo de novo. Estou em outra área e não tenho notícia de nada, não”, disse.

A reportagem também perguntou a Gênis o que ele tinha a dizer sobre as acusações do Ministério Público de que recebia propina para ‘esquentar’ documentação no Detran-MS. “Vou me inteirar certinho sobre isso e depois te retorno”, foi a resposta dele, afirmando não ter conhecimento dos 14 processos criminais contra ele na Justiça.

A reportagem procurou o promotor Jorge Ferreira Neto Júnior, responsável por uma das ações contra Gênis. Através de seu assessor, ele pediu para a reportagem entrar em contato com a assessoria do Ministério Público.

Jornal Midiamax procurou a assessoria do MPMS para que se posicionasse sobre as buscas ao denunciado e a respeito de uma possível blindagem no caso. Não houve resposta até a publicação desta matéria, mas o espaço segue aberto para futuras manifestações.

As defesas dos outros dois servidores e do despachante denunciados não foram localizadas. O espaço segue aberto para posicionamento.